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Caros Sócios da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI),
Decidi candidatar-me a Presidente da Direcção da SPCI, para o triénio 2012-2014, integrando uma Lista de sócios que desde há vários anos trabalham juntos na SPCI, colaborando nas múltiplas actividades desenvolvidas pela nossa Sociedade. Trata-se da candidatura de uma Lista aos Corpos Gerentes da SPCI.
A grande maioria dos candidatos que integram esta Lista já tem uma importante experiência e trabalho desenvolvido, o que me permite dizer que em conjunto conhecemos muito bem a realidade da Medicina Intensiva no nosso País.
Sei quais são as dificuldades e problemas actuais da sociedade Portuguesa e da SPCI, nomeadamente as limitações que decorrem das restrições económicas e a existência de alguma desmotivação em certos sectores profissionais. Enfim uma grande indefinição relativamente ao nosso futuro próximo, individual e colectivo.
Existem novos e importantes desafios a enfrentar. Vivemos uma época de mudança, em que o desafio será transformar os desafios em novas oportunidades, mas que seguramente terá que ser uma época de novas soluções, de criatividade e de imaginação. Deverá ser um período para uma ampla reflexão em que em conjunto devemos questionar as nossas práticas e definir melhor os caminhos que queremos traçar para o futuro.
Pensei que deveria aproveitar a experiência adquirida, combinando-a com alguma juventude, inovação e até irreverência. Acho que é um dever dos futuros Corpos Gerentes manter uma trajectória de desenvolvimento para a SPCI, dando continuidade ao trabalho muito meritório desenvolvido pelas Direcções anteriores. O número de profissionais que trabalham, estudam e se interessam por esta área da Medicina e da Enfermagem é muito pequeno no nosso País, pelo que a sua actividade científica pode e deve ser potenciada por todos.
A SPCI deve continuar a ser um espaço de união, um fórum de todos os Intensivistas, Enfermeiros, Médicos e outros profissionais interessados pela Medicina Intensiva e pelos Cuidados Intensivos. Trabalhando em equipa poderemos promover esse encontro, criando as condições para potenciar “massa crítica”, estabelecer consensos alargados e definir estratégias comuns.
É o caso da criação da Medicina Intensiva como uma especialidade médica primária. Existe hoje um consenso muito alargado relativamente a este tema, apoiando a actual Direcção da SPCI essa decisão. Penso que a próxima Direcção da SPCI deverá manter o inequívoco apoio ao actual Colégio da Sub-Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, na obtenção desse objectivo.
Considero como objectivos prioritários a atingir durante o triénio 2012/14, e para tal conto com a colaboração e apoio empenhado de todos os Candidatos desta Lista, os seguintes:
1. ACTIVIDADES TÉCNICO-CIENTÍFICAS
1.1 Eventos:
A SPCI deverá manter em termos de estrutura, datas e qualidade científica os seus dois maiores eventos anuais, o Congresso Nacional e a Reunião Monotemática. O primeiro em Maio e com uma localização mais estabilizada, no Algarve, o segundo em Novembro e devendo ser realizado em diferentes regiões do País.
Procuraremos manter a presença de convidados de elevada qualidade, para que possamos beneficiar das suas experiências e do seu saber. Vamos incentivar a presença de todos aqueles que entre nós fazem investigação nesta área, para que o Congresso Nacional de Cuidados Intensivos, seja o local privilegiado para apresentação anual dos seus trabalhos.
1.2 Formação:
Manter a SPCI muito interveniente nesta área, continuando a adoptar o projecto CoBaTrICE (Competency Based Training in Intensive Care Medicine in Europe) como modelo, de forma a harmonizar os programas de formação. Desenvolver actividades formativas integradas, em parcerias com várias entidades com prestígio institucional e científico, dirigidas à formação do interno de medicina intensiva, no âmbito do seu internato da especialidade.
Vamos continuar a desenvolver e promover a realização de um conjunto de Cursos, como: o Fundamental Critical Care Support Course (FCCS) e o Fundamentals of Disaster Management Course (FDM), em colaboração com a Society of Critical Care Medicine (SCCM); Advanced Training Course in Intensive Care (ATCIC) - Broncofibroscopia para Intensivistas, Lesão Renal Aguda para Intensivistas, Monitorização Hemodinâmica Avançada para Intensivistas, em colaboração com a European Society of Intensive Care Medicine (ESICM); Curso de Técnicas de Substituição Renal; Curso de Ecocardiografia Básica para Intensivistas, em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC); Curso de Terapia Intensiva Neurológica (CITIN), em colaboração com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB); Curso de Monitorização Hemodinâmica; Cursos de Ventilação Mecânica Invasiva e Não Invasiva, entre outros. Perspectivam-se no futuro próximo novos Cursos, como: Basic Assessment and Support in Intensive Care Course (BASIC) e o Very Basic Assessment and Support in Intensive Care (Very Basic, destinado a Estudantes de Medicina), em colaboração com a Universidade de Hong Kong e a ESICM.
1.3 Website:
Transformar a página da SPCI (www.spci.pt) numa plataforma de trabalho ao serviço dos sócios. Juntando informação com formação. Divulgando eventos e notícias mais breves, como informação institucional, cumprindo assim o papel do Boletim da SPCI.
Manter a publicação online da Revista, procurando ainda incluir casos clínicos, imagens ou pequenos artigos de opinião. Completar e actualizar o registo das UCI’s nacionais. Tornar a página num instrumento para o desenvolvimento administrativo e organizativo da Sociedade.
1.4 Revista Portuguesa de Medicina Intensiva:
A Revista da SPCI deve ter uma maior estabilidade na composição do seu Corpo Editorial, mantendo-se preferencialmente com um formato online e de acesso gratuito para os sócios. Vamos incentivar os sócios a publicar os seus trabalhos na revista da Sociedade.
1.5 Desenvolvimento de modelos de cooperação em investigação científica:
Promover a discussão do papel da SPCI como entidade facilitadora e potenciadora de investigação científica em medicina intensiva. Procurar aproximar os Investigadores e os Centros Nacionais, divulgando projectos de investigação nacional ou internacional ou dando apoio administrativo e técnico a trabalhos científicos, em função do solicitado pelos seus autores.
1.6 Elaboração de Consensos:
Promover a elaboração de consensos sobre o estado da arte, constituindo uma equipa responsável por este trabalho multidisciplinar que delegue competências, em grupos de profissionais de reconhecido mérito, em cada área temática, para a elaboração destas normas.
2. PARCERIAS COM OUTRAS ENTIDADES
Devemos desenvolver parcerias com outras sociedades médicas e científicas, na realização conjunta de eventos, como têm sido as reuniões monotemáticas, bem como estabelecer novas parcerias formativas na realização de acções de formação, cursos e consensos.
Será importante consolidar as relações estreitas e profícuas que a SPCI tem com várias sociedades nacionais e internacionais: Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC); ESICM; AMIB; Société de Réanimation de Langue Française (SRLF); Sociedad Española de Medicina Intensiva, Crítica y Unidades Coronarias (SEMYCIUC); Sociedad Española de Enfermería Intensiva y Unidades Coronarias (SEEIUC).
Procurar desenvolver mecanismos de “dual membership” com estas Sociedades, criando benefícios para os sócios da SPCI, como o acesso mais fácil à participação nas actividades destas Sociedades, aos seus eventos e publicações.
Desenvolver o relacionamento, iniciado pela actual Direcção, com várias entidades na área da saúde, Ordens dos Médicos, Ministérios da Saúde, e Universidades da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), podendo essa colaboração efectuar-se sob várias formas, parcerias, eventos científicos e acções de formação.
3. A SPCI E A SOCIEDADE
Divulgar junto da comunidade o que é a Medicina Intensiva, o que são os Serviços de Medicina Intensiva/UCI’s, para que servem e como funcionam, numa perspectiva de informação e formação da população. Achamos que neste campo existe muito trabalho a fazer e que a SPCI pode e deve ter um papel importante, utilizando o seu sítio na rede, os eventos que realiza e a comunicação social em geral.
4. REVISÃO DOS ESTATUTOS
Promover a discussão da revisão dos estatutos da SPCI, nomeadamente no sentido de reduzir os mandatos das Direcções para dois anos e de promover a inclusão na mesma dos cargos de Presidente anterior e de Presidente eleito.
Estes são os objectivos essenciais a que todos nós nos propomos e que estamos certos de poder atingir, com o necessário contributo dos Sócios da SPCI, numa perspectiva que visa o crescimento sustentado da Medicina Intensiva e da Enfermagem em Cuidados Intensivos em Portugal.
Lisboa, 05 de Outubro de 2011

Ricardo Matos
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